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    Pensamento Desconexo
     


     
     

    Despedida

     

    Despedida do Pensamento Desconexo

     

    Queridos leitores,

    Acho que isso não é segredo para ninguém, mas a Retrospectiva - que chegou somente ao tópico 6 - é a prova mais recente e mais clara de que eu já nao tenho mais ânimo e nem disposição para escrever neste blog.

    Foram praticamente cinco (bons) anos nos quais eu muito enchi o saco de vocês com reclamções, choros, comentarios inoportunos e textos que falavam sobre tudo-tudo-nada-nada. Me diverti bastante e tenho na memória posts que escrevi com muita emoção e com grande sensibilidade. Coisas que eu jamais seria capaz de dizer a alguém ou de falar, pessoalmente. Coisas que só caberiam nesse palco que, apesar de aberto a todos vocês, foi a coisa que de mais particular e pessoal eu mantive nos últimos anos.

    Mas acho que não combino mais com esse espaço e com esse estilo. Resolvi aproveitar o começo de 2011 para renovar. E, já que algumas coisas na vida não são tão passiveis de mudança tão rapidamente, decidi começar com aquelas cuja transformação está ao meu alcance.

    Por isso que, a partir de hoje, o Pensamento Desconexo ficará só como uma lembrança boa na minha vida. Agradeço muito a todos vocês que, diariamente, uma vez por semana, uma ao mês, uma ao ano, enfim, dedicaram minutos de seu tempo para me acompanhar um pouco e ler as coisas que aqui escrevia. Era muito bom, de verdade, entrar aqui e encontrar comentários ou ver o índice de visitantes crescer. Apesar de o espírito de um blog ser "falar sozinho", acreditem que é muito melhor saber que alguém nos ouve - nesse caso, nos lê.

    Porém, como escrever é um vício que acho que a gente só perde quando morre, continuarei existindo no universo virtual. Convido a quem não tiver nada de melhor a fazer a, a partir de agora, me acompanhar no Futilidades Sérias (é de graça e nem é tão difícil assim de decorar o novo endereço). Assim como este foi em seus bons tempos, o novo blog será um palco no qual vocês poderão saber um pouco das minhas opiniões sobre tudo e gastar um pouco de tempo com conteúdos irrelevantes. Ficarei, de verdade, muito feliz se me acompanharem nessa nova jornada.

    Desejo a todos um ano de 2011 maravilhoso, cheio de realizações, conquistas e muitas supresas maravilhosas. E, de coração mesmo, muito obrigada a quem, desde o ano de 2006, deu um pouco de atenção aquela menina de 20 anos que quis brincar de ter um blog.

    Espero todos no Futilidades Sérias. E punto e basta!

     



    Categoria: Tudo tudo, nada nada
    Escrito por Babi às 14h44
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    Retrospectiva 2010 - 6

    Fato 6: Assisti a um show do Coldplay



    Quem é fã de alguma banda sabe que poucas coisas tem uma emoção igual ao de ouvir, ao vivo, aquela música que sempre embala os momentos felizes ou tristes da sua vida. E foi exatamente essa gostosa sensação que tive no dia 2 de março deste ano, quando presenciei, junto com 65 mil pessoas, a apresentação do Coldplay no Brasil.

    Sou fã de Coldplay há algum tempo e sempre achei que ninguém os superava na criação de músicas depressivas na medida correta - algo que eu adoro. E, por sorte do destino e apoio de um amigo, consegui de presente o ingresso para vê-los no camarote do Morumbi. Vi, cantei, chorei e amei.

    E sempre que alguém me pergunta como foi o show eu não consigo responder. Aquele momento, para mim, foi tão incrível que não dá para descrever com palavras e nem lembrar com precisão no momento imediatamente futuro. Tudo aconteceu e ficou ali, dentro do coração. Para sempre.

    Cito esse fato porque foi um bom exemplo de realização de um sonho. E também por ele ter sido bom o suficiente para neutralizar as ausências do Paul McCartney e do Bon Jovi, que eu perdi. Mas, 2011 está ai e, antes dele começar, já arquiteto os planos para ter, na memória, os shows do U2, Shakira e dos Backstreet Boys (afinal, nunca é tarde para se realizar um sonho adolescente). Aguardem relatos destes espetáculos nos posts do ano de vem.



    Categoria: Filosofias de buteco
    Escrito por Babi às 21h28
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    Retrospectiva 2010 - 5

    Fato 5: Consegui manter o peso


    Depois de alguns fatos mais sérios, sempre é bom inserir uma futilidade na conversa. E é algo bem vazio que escolho para preencher o quinto item desta retrospectiva, colocando como um dos fatos positivos do ano ter conseguido viver um período de trégua com a balança.

    Assim como a Segunda Guerra Mundial, a minha batalha contra os quilos excessivos já durava uns seis anos. Ou até mais, se considerar os primeiros momentos em que me olhei no espelho e não gostei muito do que vi. E o engraçado é que a bandeira branca entre a balança e eu só foi erguida após um período bem ruim.

    Depois de uma fase de muita tristeza passada há pouco mais de um ano, eu vi, pela primeira vez na vida, o apetite ir embora. Não importava se diante de mim estivesse uma travessa de macarronada, um X-Burguer, uma barra de chocolate ou uma porção de manga. Qualquer alimento tinha, para mim, o mesmo apelo de apetite do que de uma porção de cimento derretido. Não queria e não conseguia comer. E aí se foram uns 13 ou 14 quilos.

    Claro que o emagrecimento passou um pouco do ponto daquilo que a maior parte das pessoas considera ideal - e tive que ouvir as pessoas me parando nos corredores do trabalho para perguntar que doença eu tinha ou qual o nome da droga que estava consumindo.

    Mas, em 2010, acho que encontrei o ponto certo entre o apetite e a moderação e agora me sinto bem. Só bem. Nada mais do que isso. O que para mim, que sempre tive a auto-estima no 3º subsolo, já é muito.

    Este fato esta presente na lista não porque eu considere que o peso é determinante para a felicidade ou infelicidade de alguém. Na verdade, acho isso - juntamente com outras questões ligadas à aparência - algo totalmente irrelevante e típico de uma sociedade que ainda não evoluiu. Mas eu coloco isso aqui para ver que, somente agora eu aprendi o quanto desperdicei da minha vida querendo ter uma cintura, um corpo e um cabelo diferentes. E o quanto fui burra em acreditar que, por não ser do jeito que eu gostaria, a vida não iria gostar de mim.

    Estou me sentindo muito bem hoje. Mas não vou recuperar os muitos anos que passei me sentindo mal. Pelo menos sei que nunca mais vou travar uma nova batalha contra o espelho.  E nem contra mim mesma.



    Categoria: Filosofias de buteco
    Escrito por Babi às 16h31
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    Retrospectiva 2010 - 4

     

     

    Fato 4: O resgate dos mineiros do Chile

     

    Além de uma simpatia – e de ter gostado muito do aeroporto de Santiago nas poucas horas que passei lá – não tem nada que me relacione diretamente ao Chile. Apesar disso, o resgate dos mineiros da mina – que dominou a imprensa mundial e se tornou um dos assuntos mais comentados do ano – conseguiu mexer comigo de uma maneira especial.

    Escolhi colocar o resgate daqueles homens como um dos fatos mais importantes do ano mais por uma simbologia do que pelo acontecimento, em si. Pelo valor humano e pela solidariedade, claro que a operação já merecia um grande louvor por ter conseguido salvar vidas que pareciam perdidas e devolver o conforto e a alegria para diversas famílias.

    Mas, na minha opinião, esse resgate teve um significado ainda mais importante porque, desde quando as noticias sobre o acidente começaram e quando o governo do Chile declarou que seria possível resgatar todos aqueles homens com a construção de uma cápsula que funcionaria como um elevador, o meu primeiro impulso foi dizer que não ia dar certo. Não porque duvidava da competência dos engenheiros e das intenções do governo do Chile. Acho que o meu pessimismo se prendia ao fato de achar toda aquela situação tão absurda e péssima que era difícil crer que, para um grupo que havia tido a má sorte de ficar preso a metros de distância da superfície, seria concedida a chance de voltar à vida normal outra vez.

    Tanto foi que eu não quis acompanhar as primeiras cenas do resgate, pois tinha certeza de que veria um novo deslizamento sobre a cápsula e toda aquela festa feita em torno do buraco se transformando em mais uma tragédia. Mas, como todos vocês sabem, tudo correu bem e todos eles conseguiram sair e renascer para a luz.

    Ou seja, de certa forma, isso serviu para me mostrar que não existem razões para desacreditar nas coisas antes mesmo delas acontecerem. Muitas situações são complicadas e realmente acabam saindo ao contrário daquilo que a gente imaginava. Só que, por outro lado, existem situações que, a primeira vista, são fadadas a dar errado. Mas, se existir uma – ou mais pessoas – acreditando que aquilo pode dar certo, de repente uma boa energia pode ser gerada e aquilo, que parecia ter um fim terrível, pode terminar com um desfecho feliz.

    Ou então até existem situações que vão terminar de um jeito ruim, mesmo. Mas penso que, se a gente acreditar, até o final que elas podem ser boas, pelo menos o sofrimento virá de uma vez só. E não por antecipação. E, se podemos sofrer uma vez, para que sofrer duas?



    Categoria: Filosofias de buteco
    Escrito por Babi às 16h41
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    Retrospectiva - 2010 -3

    Fato 3: Voltei a namorar (e a terminar um relacionamento)


    Este post já estava preparado e com um teor um pouco diferente deste. Oe tema estava programado para fazer parte desta retrospectiva desde o início. Mas desde ontem, exatamente, a notícia ganhou um complemento.

    Começo dizendo que 2010 foi um ano até então raro na minha vida. Passei praticamente todos os meses junto com a mesma pessoa - inicialmente, naquela fase de conhecimento, pré-namoro até, depois, chegar ao namoro.

    Namorar não era umas promessas de Ano Novo que fiz quando 2010 começou. Afinal, 2009 tinha sido um ano meio conturbado e eu tinha acabado de encontrar o equilíbrio necessário para ficar bem sozinha.

    Mas ele apareceu e os planos foram mudados. Sem aquela coisa fulminante de se apaixonar a primeira vista, a gente deu, um ao outro, a oportunidade de mostrar que, juntos, o futuro poderia ser bacana. E em boa parte do tempo, creio que tenhamos conseguido essa missão.

    Sem dúvida nenhuma a existência dele na minha vida está entre os bons acontecimentos de 2010. Sem aquela montanha de clichês sobre todo o aprendizado que uma pessoa pode trazer a nossa vida, eu me limito somente a dizer que ele foi a pessoa certa, no momento certo e que tudo foi conduzido para a direção certa.

    Não aprendi somente a exercitar a convivência e a desfrutar da presença contínua de alguém (que conseguiu me oferecer momentos incrivelmente felizes, dos quais nunca esquecerei), como também entendi que a arte de conviver com alguém que teve uma criação diferente da sua e que tem seus próprios conceitos, opiniões e ideias de mundo não é nada fácil. Aliás, é incrivelmente difícil.

    Mas, em mais uma experiência sentimental, aprendi a importância de ter alguém ao lado e de preservar sempre os momentos bons.

    Esse post serviria, a princípio, apenas para agradecer pela sorte de ter encontrado um namorado neste ano. Mas, com os novos contornos do destino, esse texto serve, também, para agradecer pelo encerramento deste namoro no momento exato. Tentamos. Mas não conseguimos atingir aquela plenitude de felicidade e de tranqulidade comum aos dois.

    Então, eu abro um espaço nesta retrospectiva para fazer um agradecimento sincero a ele. Um agradecimento leve, sem tristeza e com o devido respeito que cabe neste momento. Pelos meses compartilhados, pelas ideias divididas e por ter marcado, de forma muito especial, a minha vida. E, sobretudo, pela coragem de reconhecer que era hora de encerrar este caminho para que outros rumos, tanto na minha vida quanto na dele, pudessem ser desenhados. A ele, o meu muito obrigado e carinho eternos.

    Porque vida - e o coração - não podem deixar de continuar....assim como o Sol do Arpoador, que nunca deixa de brilhar!






    Categoria: Sentimentalidades
    Escrito por Babi às 15h05
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    Retrospectiva 2010 - 2


    Retrospectiva 2010


    Fato 2: Recusei uma oferta de emprego


    A nossa vida profissional geralmente está um pouco aquém daquilo que esperamos. Por mais que sejamos felizes naquilo que fazemos (que é o meu caso) sempre surge a ideia de que seria mais legal ganhar mais, trabalhar menos, fazer coisas diferentes, etc. Neste ano, posso dizer que amadureci bastante profissionalmente. Tive a oportunidade de fazer muitas coisas legais e também de cometer erros absurdos, que me mostraram que atenção nunca é demais com aquilo que fazemos.

    Comecei 2010 bem desiludida profissionalmente. E as coisas só melhoraram um pouco quando recusei uma proposta de trabalho. Apesar de parecer incoerente, foi a recusa de encarar uma coisa nova que me proporcionou uma condição melhor no trabalho atual. Fiquei balançada em encarar algo diferente daquilo que fazia, mas que proporcionaria uma condição mais estável. No fim das contas, acabei ficando e ganhei uma condição um pouco melhor onde estava. Sem a necessidade de deixar para atrás algo que gosto e passar a exercer uma função que nunca fez parte dos meus projetos.

    Apesar deste fato positivo, aprendi a desenvolver a ideia de que, quando tudo está estável demais, é hora de mudar. E é com esse espírito de buscar uma mudança que quero começar 2011. Estou bem, mas sei que mereço estar muito melhor. E sei que atingir esse objetivo é plenamente possível. Mas, enquanto isso não acontece, agradeço pelas conquistas deste ano e pelas inúmeras alegrias e gratificações que o trabalho me proporcionou. Trabalho que, cada dia mais, me vicia, me apaixona e me faz aceitar todas o stress que dele provém com a recompensa de sentir uma felicidade inexplicável cada vez que o botão "publicar" é apertado.



    Categoria: Filosofias de buteco
    Escrito por Babi às 21h06
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    Retrospectiva 2010 - 1

    Retrospectiva 2010 - Só na positividade

    Esse blog está abandonado e isso não é um segredo. Um dos meus projetos de 2011 é retoma-lo - com uma outra cara e um outro jeito. Sinto falta de parar um pouco as obrigações cotidianas para sentar diante desta tela e escrever alguma coisa irrelevante. Então, pretende avaliar isso com a devida atenção no ano que vem.

    Mas como estamos prestes a terminar mais um ano, eu resolvi voltar aqui para fazer algo que sempre gostei: relembrar o passado e falar do que aconteceu. Mais precisamente, falar um pouco de 2010 e das coisas que ele trouxe para nós (mais essencialmente, para a minha vida).

    Neste ano, vou fazer uma coisa que vi em alguns blogs por aí e achei bacana (afinal, nada se cria neste mundo). Vou fazer uma retrospectiva de 10 fatos positivos que aconteceram para mim neste ano. Alguns deles não tem a ver diretamente comigo. Já outros teriam tudo para ser negativos, mas no fim das contas acabaram contribuindo para o meu crescimento. Alguns são bem idiotas, mas foram capazes de me deixar plenamente felizes.

    Por que falar só dos fatos positivos? Porque acho que é bom resgatar coisas legais e usar a energia boa delas para iniciar um novo ano. Claro que aconteceram coisas chatas neste ano - e que algumas outras coisas pelas quais ansiava muito ainda não aconteceram. Mas a vida conseguiu me ensinar que nem sempre aquilo que achamos que seria bom é, de fato, positivo. E que nem sempre aquilo que traz um sofrimento do cão e parece ser a maior injustiça do mundo é algo ruim. Afinal, como dizem por aí: antes de limpar uma casa é preciso remexer para tirar tudo o que não serve mais. Acho que a vida é mais ou menos como uma casa que precisa ser faxinada.

    Então eu passarei a postar (ou melhor, tentarei postar todos os dias) um fato de que lembrarei com alegria deste 2010 tão cheio de reviravoltas.



    Fato 1: Conheci a Turma do Chaves



    Resolvi começar com aquilo que parece ser mais engraçadinho. Em abril deste ano, os atores e intérpretes dos personagens Kiko e Srº Barriga vieram ao Brasil para uma entrevista coletiva e apresentações. E lá estive eu, com a desculpa de cobrir o evento, realizando um sonho que certamente é comum para boa parte da minha geração. 

    Mas o que isso, de fato, trouxe de importante para minha vida? Inserir a presença dos personagens mexicanos no Brasil como algo importante neste ano para mim pode parecer ridículo para quem lê isto. Mas acho importante listar este fato não pela emoção que senti ao ver os dois atores (que são mais simpáticos e carismáticos do que qualquer um de nós poderia imaginar).

    Mas sim pela importância de se dar ao direito, às vezes, de se entregar a bobeiras, a paixões inocentes e a se divertir com coisas aparentemente imbecis. Listo esse fato porque nesses dias em que fiquei junto com aquele pessoal enlouquecido pela Turma do Chaves eu pude perceber que é bom (e extremamente importante) não ser sério o tempo todo. Não levar a vida tão a sério - e também não permitir que o cotidiano te imponha essa seriedade.

    Não se trata de se tornar um bobo-alegre-imbecil e fazer das suas obrigações um palco do Cirque de Soleil. Mas acho permitido se divertir com babaquices, assumir que você não é um ser plenamente intelectualizado 100% do tempo e se dar ao direito de, de vez em quando, exigir um pouco menos do seu cérebro e ver que a vida é mais leve quando você aprende a rir de si mesmo e de todos.



    Categoria: Filosofias de buteco
    Escrito por Babi às 16h01
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    Casperianos

     

    Aos casperianos que fomos um dia

    As mudanças dos últimos tempos - e, principalmente, a mudança que virá pela frente - tomaram demais o meu tempo e me impediram de atualizar aqui com a frequência que deveria.

    Mas hoje, ao iniciar a limpeza que estou fazendo para a mudança, achei algo que me despertou a vontade de sentar aqui e contar para alguém.
    É uma redação que fiz no último ano da faculdade (no dia 12 e novembro de 2008) cujo tema era o balanço do final do curso de Jornalismo e as perspectivas para o futuro.

    Como era um período de apresentação de TCC e todos os limites cerebrais já estavam esgotados, o que consegui produzir foi um monte de clichês que me renderam uma nota 8. Mas uma coisa me chamou atenção - e por isso que replico esse texto aqui hoje.

    No final do penúltimo parágrafo eu fiz uma previsão. O que eu nunca imaginaria era que, em dois anos, exatamente aquilo que coloquei ali, infelizmente, acabaria acontecendo. E, pior: acontecendo por total vontade minha de transformar tudo aquilo (ou a maior parte) em uma lembrança distante.

    "Quatro anos. Se não fossem a exaustão psicológica e a lista de responsabilidades e preocupações na mente, não teria me dado conta de que todo esse tempo já passou. Afinal, não consigo me ver muito diferente daquela garota suja de tinta do troe, há quatro anos. Os sonhos, anseios e sentimentos são os mesmos. A diferença é que eles estão mais leves. Foram libertados do peso das ilusões.

    Mais difícil do que responder aquela insistente questão que nos faziam no iníco da faculdade, de 'por que escolhemos fazer jornalismo', é resumir, em poucas linhas, o sentimento que temos ao notar que a etapa foi encerrada. A Cásper nos trouxe ensinamentos, mas também destrui a maior parte dos idealismos que tínhamos quando ali chegamos. Entramos sonhadores. Saímos jornalistas.

    Independente dos caminhos que cada um de nós irá tomar a partir de agora, na minha ena memória de cada um de nós que fez parte daquela sala de aula ficarão as lições, os aprendizados, as conversas, a admiração por alguns excelentes professores e a troca de ideias e de opiniões sobre incontáveis assuntos. Por outro lado, também não esqueceremos do desgaste, da sensação de tempo desperdiçado, de muitas aulas, dos infinitos trabalhos, provas e atividades a cumprir que tinham o poder de acabar com qualquer paciência e nos fazer questionar se aquilo tudo, realmente, valia a pena.

    As lembranças acadêmicas, entretanto, são apenas uma das faces de um conjunto formado por sentimentos, laços, companheirismo e, daqui a algum tempo, saudades. Em quatro anos, não encontramos apenas colegas, mas sim pessoas que, por mais divergências e diferenças que possam ter entre sim, sempre terão um ponto em comum. Encerro esse ciclo levando amizades de pessoas que quero conservar para toda a vida. De pessoas que mudaram a minha vida.

    O fato de descrever, em palavras, o final de uma convivência talvez soe como um saudosismo precipitado. Pode até ser que, daqui a muitos anos, quando cada um estiver realizando seus trabalhos em seus jornais, revistas, televisão, sites ou até mesmo tiver fazendo qualquer outra coisa que fuja do vício jornalístico, a vivência casperiana simbolize apenas um tempo distante. E que fique em segundo plano para dar lugar as novas experiências. E que, aos poucos, não consigamos mais ver nenhum vestígio desse sentimento que existe hoje.

    Mas, entre aqueles que presenciaram os bares, as conversas no corredor, as risadas, os problemas, as piadas internas, enfim, que viveram a essência do Jo C, sempre exisistirá um elo. Porque, por mais que milhares de outras experiências venham, aqueles momentos e aquela fase, nós só vivemos com aquelas pessoasl. Nós só passamos na Cásper. E isso nenhum de nós, nunca mais, conseguirá repetir."



    Categoria: Sentimentalidades
    Escrito por Babi às 21h13
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    Criancices


    Criancices


    Quando eu era criança o tempo passava bem devagar.

    Na maioria das vezes eu até achava que ele demorava demais.

    Ficava fazendo risquinhos nas folhinhas do calendário da cozinha para marcar quanto tempo faltava para o meu aniversário, para o Natal, para o aniversário da mamãe e do papai e para o Dia das Crianças. E tudo parecia que ia demorar muito para chegar.

    Não me classificaria como uma criança encapetada. Mas também não era um anjinho. Não cheguei a botar fogo na casa e a rabiscar as paredes. No máximo me arrisquei tentando mergulhar dentro de um aquário, brincando de gincana nas escadas e tentando carregar, sozinha, uma TV de 20 polegadas para poder usar a mesinha que a sustentava como base para montar uma árvore de Natal.

    Como não tinha parceiros de brincadeiras e de arte dentro de casa (leia-se irmãos) tive que me virar para inventar brincadeiras na minha própria companhia. E assim nasceram os circuitos de triatlo no quintal da minha avó; a caçada na floresta amazônica (também no jardim da vovô), os vários escritórios no qual eu escrevia insistentemente em uma maquina de escrever feita de papelão e os vários programas de entrevistas, nos quais eu submetia todos os adultos próximos a responder a perguntas impertinentes, enfiando um microfone da Xuxa em suas bocas.

    Em termos físicos e esportivos, nunca fui muito habilidosa. Tinha uma inveja mortal de todas as amiguinhas da escola que sabiam virar estrelinha e que se penduravam de cabeça para baixo no trepa-trepa. Tentei ser bailarina, mas desisiti, achando aquele mundo de calma e de passos controlados não combinava comigo. Sempre era uma das últimas a ser escolhida nos grupos de educação física (mas também não chegava a ser a última).

    Tinha uma atração um pouco além do normal por livros e por tudo o que era escrito. Roubava o Jornal da Tarde antes mesmo do meu pai pegar para ler, de manhã. E adorava brincar de previsão do tempo com o atlas que veio junto com o jornal.

    Nunca tive um videogame. Não por falta de condições, mas por não ter vontade. Já me achava meio devagar para tudo o que era eletrônico. Só me dava bem com o Pense Bem. Era sempre uma das últimas a ter as coisas que eram da modinha. E, acreditem ou não, nunca sofri por isso.

    Não sabia pedir as coisas. E tampouco sabia escolher quando me ofereciam. Uma vez minha tia e madrinha levou minhas duas primas e eu para uma loja imensa de brinquedos e nos soltou ali, pedindo que cada uma escolhesse o que quisesse. Se não fosse a minha prima mais velha escolher a boneca Magic Face cor de rosa para mim, talvez estivesse até hoje nos corredores daquela loja, sem saber qual escolha seria melhor para mim.

    Adorava bolachas Trakinas e Passatempo e achava que não fazia mal nenhum comer sanduíches do Mc Donalds. Inventei também uma infinita lista de desculpas para dar a minha mãe, justificando os motivos de não querer comer o que ela me colocava no prato. Também acho que experimentei todos os tamanhos e variedades do Biotônico Fontoura e seus derivados.

    TInha preguiça de escovar os dentes antes de dormir e muitas vezes ia para a cama sem rezar. Tinha uma pena infinita e uma comoção inexplicável ao ver qualquer bichinho pela rua. E achava que a minha cachorrinha poddle, Lady, iria durar a ponto de brincar com os meus filhos.

    Alias, analisando bem, não queria ter filhos. Nem nas brincadeiras. Minhas Barbies nunca eram minhas filhas. Eram sempre irmãs mais novas, sobrinhas e até filhas das amigas.

    Já era viciada em assistir Chaves e aprendi precocente a jogar tombola (a versão italiana do bingo) com a minha avó. Adorava o horário de verão, porque com ele, eu ganhava mais uma horinha para ficar na rua brincando de vôlei ou andando de patins.

    Achava absurdo entender as coisas que todos os adultos falavam que eu não era capaz de entender. E achava melhor não dizer a eles que eu entendia porque, se fizesse isso, acho que eram eles que não iam entender nada.

    Ouvia muitas vozes, escutava passos e sentia a presença de pessoas que não estavam ali. Mas não tinha medo. Só senti medo, mesmo, quando teimei em assistir Brinquedo Assassino - que me custou dois meses de noites mal-dormidas e um trauma que não superei até hoje.

    Não gostava do meu cabelo, da minha cara, do meu corpo e nem do meu nome. Aprendi (não lembro se com alguém ou se sozinha) que sempre, em qualquer circunstância, eu tinha que me dirigir às pessoas (conhecidos ou não) com um sorriso.

    Prometi a minha mãe que nunca iria me casar. E antes mesmo de ficar adolescente pedi a ela que esquecesse a promessa por achar que eu não seria capaz de cumprir.

    Queria me dar bem com todas as pessoas. Com meus pais, meus avós, tios, primos, amiguinhos da escola, professores, gente que passava na rua, vendedores de lojas, todos. Não poderia pensar em briga ou em qualquer outra forma de conflito. Queria que todos gostassem de mim. E faria qualquer coisa para que isso acontecesse.


    É engraçado lembrar dessas coisas e reconhecer o quanto eu mudei. E, ao mesmo tempo, o quanto eu permaneci idêntica. Hoje, em mais um Dia das Crianças em que minha família fez a gracinha (e a demonstração de amor) de me dar um presentinho, eu fiz um rápido resgate do meu passado e senti que eu cresci tanto. Mas que tal crescimento não foi suficiente para me impedir de chorar, há pouco, e querer que o tempo voltasse em uma semana, para eu estar aqui em São Paulo e poder ter assistido ao show do Bon Jovi e sentido as mesmas sensações que as pessoas que estão nos vídeos do YouTube devem ter sentido. Uma típica manha de criança.

    Não sei, de verdade, se eu cresci. Só que agora, ao contrário de quando eu era criança, o tempo não passa mais devagar.



    Categoria: Sentimentalidades
    Escrito por Babi às 20h28
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    Coisas que eu sei


    Coisas que eu sei

    Eu sei de muita coisa.

    Sei de algumas coisas antes de muitas pessoas saberem. Sei de coisas, as vezes, que ainda nem aconteceram.

    Mas não é um conhecimento pleno e claro. O mais correto seria dizer que eu sinto as coisas e pressinto quando algo vai acontecer. Muitas vezes não consigo delinear o que é. Só sei que alguma coisa vai acontecer.

    Isto não é sempre e nem acontece constantemente. Anteriormente, o meu grau de sensabilidade era maior, mas depois foi enfraquecendo e chegou a diminuir bastante. De uns tempos para cá, porém, a capacidade de saber que uma situação vai mudar e que algo que parece estável no momento não terá um futuro longo, retornou com grande força.

    Sei que esse dom está longe de ser algo exclusivo meu. Dizem que a capacidade de pressentir fatos (que, acredito eu, é um dom tanto mental quanto espiritual) está ao alcance de todos. Alguns, porém, não conseguem desenvolvê-lo - ou interpretá-lo - de um jeito mais claro.

    Eu, ao contrário da minha vontade, sempre consegui. Digo ao contrário porque eu não queria, jamais, ser dotada dessa capacidade. Considero isto muito mais um castigo do que um dom. É sufocante saber que algo vai acontecer, que tal fato irá mexer com a sua vida e não ter noção de quando e nem de como esse acontecimento se apresentará. Assim como é terrível ter conhecimento de algo, a respeito de alguém, que muitas vezes nem a própria pessoa envolvida ainda se deu conta. 

    Não me considero preparada para saber, com uma certa antecipação, os rumos que a minha vida vai tomar - e nem os sofrimentos pelos quais terei que passar. O que tento fazer, para diminuir um pouco a agonia do conhecimento prévio dos fatos, é tentar, de alguma maneira, preparar a minha cabeça e o meu coração para o momento em que, aqueles fatos, sairão do campo das minhas previsões para o da realidade. Isso nunca muda muito, porque, por mais preparado que você se julga estar para um fato, tudo muda quando a realidade, de fato, chega a você.

    Recentemente eu tive mais uma prova do meu alto grau de sensibilidade. E, claro, a noção do fato, no mundo real, causou um abalo bem diferente daquele que já havia sido causado no meu psiocológico, quando pressenti que tal acontecimento um dia seria real. Mas, desta vez, consegui aproveitar o período de "treinamento" que tive (entre a percepção antecipada do fato e a descoberta dele) para, de fato, educar a minha mente e o meu coração e me acostumar com aquilo, a ponto de plantar a ideia na minha cabeça de uma forma tão clara que, aquele pressentimento (do qual eu nao tinha nenhuma certeza se tinha mesmo um embasamento ou se era um devaneio) criou forma e vida. E se tornou uma verdade real.

    Com certeza não será última vez que confirmarei que os meus sonhos, pensamentos, sensações e convicções me mostram a realidade antes mesmo dela acontecer. O que espero é que mais esta lição tenha servido para me preparar o espírito e a mente para que, das próximas vezes em que eu presentir qualquer coisa, eu não sofra com a ideia de ver aquilo ser materializado em realidade. Para que, quando a sensibilidade me mostrar alguma situação que será mudada, eu não fique arquitetando os caminhos que o destino fará para virar todo o presente do avesso até deixá-lo de acordo com o futuro que sei que terá. Para que eu simplesmente aceite o que irá acontecer. E aceite que a minha missão, nesse mundo, é um pouco diferente da maioria das outras pessoas.



    Categoria: Filosofias de buteco
    Escrito por Babi às 18h58
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    A zica – the beginning

     

    Quem me conhece já sabe que, com a mesma frequência que uso as palavras “obrigada”, “por favor” e “com licença”, eu também costumo repetir que sou especialmente zicada. Descontada a dose de exagero que eu adoro acrescentar em tudo na vida, essa teoria é, sim, embasada e sustentada em fatos que, se forem olhados com atenção, realmente causam espanto.

    Não vou entrar nos pormenores e listar os exemplos de situações em que a sorte me virou a cara. Mas não faltam casos de coisas mal-sucedidas e imprevistos nas horas mais absurdas. O que vem acontecendo de uns tempos para cá – e que torço muito para que seja somente mais um exagero da minha parte – é que venho percebendo que a minha energia zicada, também, tem começado a se espalhar sobre a vida de quem está ao meu redor.

    E os mais atingidos nessa triste sina são as minhas fontes. Já viraram motivo de piada os acidentes e fatos que acontecem com as pessoas que acabei de entrevistar – ou que tinha intenção de entrevistar. O caso mais emblemático aconteceu no ano passado, quando passei mais de dois meses articulando uma entrevista com Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial (por quem eu nutro uma eterna paixão adolescente). Depois de inúmeras trocas de e-mail com a assessoria, finalmente consegui marcar para a semana seguinte. Estava super ansiosa quando, no final de semana, ligo a TV e vejo a noticia de que ele havia despencado do palco em um show! E ficou internado por meses. Claro que o sonho da entrevista – assim como a integridade física dele, coitado - ruíram totalmente. (Só para esclarecer, a entrevista finalmente foi feita nesse mês e agora sim, eu posso morrer feliz).

    Outro exemplo aconteceu neste ano, quando fui cobrir a edição de 2010 do Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). Fiz uma matéria de TV no evento e o meu principal entrevistado foi o cineasta Fernando Meirelles – que foi super simpático mesmo após eu ter praticamente enfiado o microfone em sua boca. Correu tudo bem no dia da entrevista. Dois dias depois, entretanto, ao abrir o jornal, eu me choco com a noticia de que ele estava internado após cair e bater a cabeça. Lembro que fui proibida de entrevistar qualquer ser humano naquela semana.

    Aí, estava tentando descobrir a origem desse mau-agouro quando, finalmente, surgiu a luz. No ano de 2006 eu marquei uma entrevista com a escritora espírita Zibia Gasparetto, para fazer um trabalho de faculdade. Depois de muito pedir, consegui agendar com a secretária dela uma conversa pessoalmente, na sede da editora Vida & Consciência, no Ipiranga.

    Lembro que faltei no trabalho naquela manhã para ir, toda saltitante, á entrevista. Chegando lá, após esperar uns 5 minutos, vi uma moça vindo em minha direção, com uma aparência assustada. Ela confirmou se eu era a pessoa que havia marcado a entrevista e seguiu-se o seguinte diálogo:

    - Então você é a Bárbara, né?

    - Sim.

    - Desculpe, mas a gente teve um problema sério e a Dona Zíbia não poderá atender você hoje.

    - Mas o que houve (perguntei, com medo)
    - Ela sofreu um acidente hoje, de manhã.
    - Meu Deus (disse, com mais medo)
    - Ela foi descer as escadas e caiu. Ainda não sabemos como porque ela está bem de saúde e não fez nada diferente do que faz todos os dias.
    - Meus Deus (repeti eu, com medo elevado ao cubo)
    - Mas ela já está no hospital e está sendo cuidada.
    - Mas é grave? Ela está bem (consegui dizer apenas essas míseras frases)
    - Ah, acredito que sim. Ela é bem forte e acho que não foi nada sério...

    Graças a Deus e aos espíritos de Luz, não foi mesmo nada sério. Se bem que qualquer queda de escada é séria para alguém que, na época, contava mais de 80 anos. O que impressiona é que ela tinha a mesma rotina todos os dias e foi se acidentar justamente no dia em que eu iria conversar com ela. Coincidência? Hum...

    Cerca de um mês depois disso conversei com ela por telefone, já que não consegui mais combinar de voltar ao local. Ela estava bem. Chegou a se machucar na queda, mas nada que - segundo ela própria - a impedisse de ir aos bailes para dançar. E me lembro que ela encerrou a ligação dizendo que eu teria muita sorte na vida.

    Será que eu deveria ligar para ela e pedir para ela confirmar, de fato, essa informação?



    Escrito por Babi às 16h53
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    E-mails

    Escrever - Rascunho - Enviar

    Desde que o e-mail foi inventado, as relações amorosas tornaram-se mais complicadas.

    Com ele, temos que lidar com mais um canal pelo qual podemos ser acusados, mal interpretados, injustiçados ou ignorados. Não bastavam as oportunidades de se discutir a relação pessoalmente ou por telefone, surgiu uma ferramenta para tornar as turbulências de qualquer relacionamento mais imediatas e dinâmicas.

    Sei que pode parecer que estou apenas uns 20 anos atrasada nesse post - afinal, se existir uma linha do tempo tecnológica, o e-mail estará mais próximo da extinção do que da novidade. Mas eu sempre quis abordar esse tema aqui porque, assumidamente, sou uma vítima emocional do correio eletrônico. Acho que se fosse possível contar os maiores palcos de sofrimento da minha vida, o e-mail ganharia disparado em audiência. E, pelas conversas com amigos, acho que não sou a única vítima desse mensageiro sem identidade.

    Acredito que o e-mail tenha ganhado essa proporção de importância em nossa vida, primeiramente, pela rapidez com que ele leva nossa voz de um lugar ao outro associada à semi-blindagem que ele fornece. Ele nos permite falar sem o receio de ser interrompida, sem levar uma batida de telefone na cara e - o melhor de tudo - sem passar pela humilhação de deixar o coração falar mais alto e embolar as palavras em choro. Afinal, escrever é tão fácil. Para quem tem facilidade com as letras, então - muito prazer, eu! - isso é melhor ainda.

    Só que o preço que a gente paga por essa expressão mais confortável de sentimentos é alto. A gente é capaz de colocar naquela tela em branco os mais fortes e complicados sentimentos que temos. Conseguimos tirar um raio X do coração e mandar para quem queremos com apenas um clique no "Enviar". Mas ainda não inventaram nenhum  mecanismo que, em meio a esse embaralhamento tecnologico, garante que a emoção ali impressa seja interpretada pelo destinatário com a mesma intensidade que nós expressamos.

    E aí, quando vem uma resposta fria, quando surgem contestações, quando não nos respondem da maneira que queríamos, vem uma frustração inexplicável. Como é possível que, com todo aquele balde de emoção jogado ali, aquela pessoa não tenha se comovido nem um pouco? Será que eu me expressei bem? Será que devia ter escrito mais? Ou seria melhor ter escrito menos? E por aí vai...

    Posso dizer que os e-mails que saíram da minha caixa já me trouxeram todas as encanações que descrevi acima. Por e-mail eu já quis mudar o mundo - ou, pelo menos, quis mudar o meu mundo. Já pedi ajuda, já me declarei, já rompi amizades, já recomecei amizades interrompidas, já encerrei histórias, já fingi ser forte, já pedi para não ser esquecida, já pedi para nunca mais ser lembrada, já pedi perdão por ter culpa, já pedi perdão por não ter culpa, já tentei convencer pessoas de que elas me amavam e já demonstrei - na maior parte das vezes - que meu respeito pelos outros é dez vezes maior do que o meu autorrespeito.

    Felizmente - ou infelizmente - acho que em 50% dessas declarações puras de sentimentos, o que recebi como resposta foi uma coisa que sempre me amedrontou e me magoou mais do que 100 páginas de xingamentos fariam: o silêncio. Não tive resposta. Talvez porque os destinatários das minhas mensagens não leram. Talvez porque leram, mas não souberam o que responder. Talvez porque leram, sabiam o que responder, mas ainda assim acharam que não valia a pena responder. Nunca vou saber os motivos. Assim como nunca vou esquecer cada uma das mensagens que tenho nesse mundo afora sem resposta. Para as quais tenho certeza que, algum dia, a vida se encarregará de me dar uma boa resposta. Mesmo que não seja em forma de letras.

    Apesar disso, eu não sou contra o uso do e-mail como uma das engrenagens atuais dos relacionamentos humanos. Afinal, serei sempre defensora da comunicação e quanto mais ela existir, mais chance teremos de construir um mundo mais pacífico. Mas, depois de algumas experiências, sempre que alguém me pergunta se deve ou não mandar um e-mail mais sério, mais emotivo, eu sempre aconselho a pessoa esperar um pouco mais. Até quando? Até quando a vontade e o coração não aguentarem mais. Enquanto for possível segurar tudo com você, segure. Porque nem sempre estamos preparados para ter o silêncio como resposta. E um silêncio dói. E vai ser uma dor que não vai te dar a chance nem de descobrir qual o melhor remédio para ela, afinal, ela não tem origem.

    Mas, se você achar que precisa falar, colocar para fora o que existe de mais forte no seu coração, escreva. Mande. Mande e não espere nada. A dor do silêncio vai vir, mas também vai passar. E, com o tempo, você vai ver que não era possível a pessoa te dar uma resposta mais clara do que a própria falta de resposta. E aí você vai sentir que nada paga a leveza de ter dito tudo o quis. E vai sentir que a missão mais importante foi cumprida: a pessoa leu você. E, em 99% dos casos da vida, só isso basta.



    Categoria: Sentimentalidades
    Escrito por Babi às 21h40
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    Tiririca


    Pior que tá não fica? (Ah, fica!)


    Mais do que a arrancada de Dilma, o sucesso de Plínio no Twitter e o possível desmantelamento do modelo atual do PSDB, o assunto mais mais comentado destas eleições é a candidatura - e a campanha política do Tiririca. Disputando o cargo de deputado federal, ele usa, como slogan, uma constatação absurda, mas que é verdadeira para grande parte da população do País: a de que ninguém sabe qual é a função e o trabalho de um deputado federal.

    Manifestações sobre o quão absurda é a candidatura dele não faltam. Mas acho que, mais do que isso, vale considerar que mais absurdo ainda é saber que a política é feita - e continua sendo feita - sempre às escondidas da sociedade. Quanto menos pessoas souberem quem faz o que na Câmara, no Senado e em Brasília, melhor para todos.

    Por isso, mais do que garantir risadas, a entrevista do Tiririca à
    Folha.com serve para gente ter o espelho do que é a política no Brasil. E, ao contrário do que ele diz, claro que vai ficar pior. Afinal, qual a dúvida de que ele será eleito?

    'Não é piada, é a realidade', diz Tiririca sobre slogan de campanha

    FERNANDO GALLO, de DE SÃO PAULO

    Francisco Everaldo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca, 45, provoca risos e indignação desde que a campanha eleitoral começou na TV.

    Com o slogan "Vote Tiririca, pior que tá, não fica", ele vai às urnas para tentar uma vaga como deputado federal pelo Estado de São Paulo.

    É a grande aposta do PR no pleito, tanto que ganhou a legenda de mais fácil memorização: 2222.

    Folha - Por que você decidiu se candidatar?
    Tiririca - Eu recebi o convite há um ano. Conversei com minha mãe, ela me aconselhou a entrar porque daria pra ajudar as pessoas mais necessitadas. Eu tô entrando de cabeça.

    De quem veio o convite?
    Do PR.

    Como foi?
    Por eu ser um cara popular, eles acreditaram muito, como eu também acredito, que tá certo, eu vou ser eleito.

    Sabe o que o PR propõe, como se situa na política?
    Cara, com sinceridade, ainda não me liguei nisso aí, não. O meu foco é nessa coisa da candidatura, e de correr atrás. E caso vindo a ser eleito, aí a gente vai ver.

    Quais são as suas principais propostas?
    Como eu sou cara que vem de baixo, e graças a Deus consegui espaço, eu tô trabalhando pelos nordestinos, pelas crianças e pelos desfavorecidos.

    Mas tem algum projeto concreto que você queira levar para a Câmara?
    De cabeça, assim, não dá pra falar. Mas como tem uma equipe trabalhando por trás, a gente tem os projetos que tão elaborados, tá tudo beleza. Eu quero ajudar muito o lance dos nordestinos.

    O que você poderia fazer pelos nordestinos?
    Acabar com a discriminação, que é muito grande. Eu sei que o lance da constituição civil, lei trabalhista... A gente tem uma porrada de coisa que... de cabeça assim é complicado pra te falar. Mas tá tudo no papel, e tá beleza. Tenho certeza de que vai dar certo.

    Quem financia a sua campanha?
    Então... o partido entrou com essa ajuda aí... e eu achei legal.

    Você tem ideia de quanto custa a campanha?
    Cara, não tá sendo barata.

    Mas você não tem ideia?
    Não tenho ideia, não.

    Na propaganda eleitoral você diz que não sabe o que faz um deputado. É verdade ou é piada?
    Como é o Tiririca, é uma piada, né, cara? 'Também não sei, mas vote em mim que eu vou dizer'. Tipo assim. Eu fiz mais na piada, mais no coisa... porque é esse lance mesmo do Tiririca.

    Mas o Francisco sabe o que faz um deputado?
    Com certeza, bicho. Entrei nessa, estudei para esse lance, conversei muito com a minha mãe. Eu sei que elabora as leis e faz vários projetos acontecer, né?

    O que você conhece sobre a atividade de deputado?
    Pra te falar a verdade, não conheço nada. Mas tando lá vou passar a conhecer.

    Até agora você não sabe nada sobre a Câmara?
    Não, nada.

    Quem são os seus assessores?
    Nós estamos com, com, com.... a Daniele.... Daniela. Ela faz parte da assessoria, junto com.... Maionese, né? Carla... É uma equipe grande pra caramba.

    Mas quem te assessora na parte legislativa?
    É pessoal do Manieri.

    Quem é o Manieri?
    É... A, a, a.... a Dani é que pode te explicar direitinho. Ela que trabalha com ele. Pode te explicar o que é.

    Por que seu slogan é 'pior que tá, não fica?
    Eu acho que pior que tá, não vai ficar. Não tem condições. Vamos ver se, com os artistas entrando, vai dar uma mudança. Se Deus quiser, pra melhor.

    Esse slogan é um deboche, uma piada?
    Não. É a realidade. Pior do que tá não fica.

    Você pretende se vestir de Tiririca na Câmara?
    Não, de maneira alguma.

    Quem é o seu espelho na política?
    Pra te falar a verdade, não tenho. Respeito muito o Lula pelo que ele fez pelo nosso país. Ele pegou o país arrasado e melhorou pra caramba.

    Fora ele...
    Quem ele indicar, eu acredito muito. Vai continuar o trabalho que ele deixou aí.

    Então você vota na Dilma.
    Com certeza. A gente vai apoiar a Dilma. Ele tá apoiando e a gente vai nessa.

    Não teme ser tratado com deboche?
    Não, cara. Não temo nada disso. Tô entrando de cabeça, de coração. Tô querendo fazer alguma coisa. Mesmo porque eu sou bem resolvido na minha profissão. Tenho um contrato de quatro anos com a Record. Tenho minha vida feita, graças a Deus. Tem gente que aceita, mas a rejeição é muito pouca.

    Se for eleito, vai continuar na TV?
    Com certeza, é o meu trabalho. Vou conciliar os dois empregos.

    Em quem votou para deputado na última eleição?
    Pra te falar a verdade, eu nunca votei. Sempre justifiquei meu voto.




    Categoria: Tudo tudo, nada nada
    Escrito por Babi às 14h22
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    Noite em 67


    Uma noite em 67 (ou alguma outra qualquer)

    Nunca aprovei o comportamento daquelas pessoas que idolatram o passado como se tudo o que existesse no presente - em termos de hábitos culturais, arte, estilo e comportamento - fosse inferior ao que a sociedade já produziu anteriormente. E com a música isso é bem comum. Não é dificil ouvir algum saudosista dizer que não se fazem mais músicas, interprétes e canções como antigamente.

    Eu prefiro dizer que cada fase ou estilo musical tem o seu papel dentro daquele contexto em que é produzido. Pode ser que, se fosse difundida em outro momento, aquela canção não tivesse tanto sucesso e não significasse tanto do que, de fato, significou.

    E, dentro da minha humilde opinião de quem entende muito pouco de cinema, acho que é bem essa a mensagem presente do documentário "Uma Noite em 67", que conta os bastidores e os acontecimentos da final do festival da Música Brasileira da TV Record, no final da década de 60. Para quem é amante da música nacional e saudosista do Tropicalismo e da efervescência daquele momento, é bom preparar bem o coração para aguentar a emoção dos acordes de 'Alegria, Alegria', da guitarra elétrica que fazia o fundo para 'Domingo no Parque' e para a expressão jovial dos rostos de Chico Buarque, Caetano, Gilberto Gil e Caetano.

    Para quem viveu na época as lembranças daquele festival e do momento da música nacional devem mexer com a emoção. E se pensarmos, de verdade, naquelas letras, nos ritmos e no engajamento - tanto dos cantores como do público - realmente é díficil se convencer de que a música tenha vivido uma outra fase tão brilhante como aquela, retratada no documentário.

    Mas, o que é preciso considerar é todo o contexto social e político que existia fora dos palcos. Alí, naquela noite de 67, não existiam apenas pessoas cantando músicas. Mas sim cidadãos e artistas expresando sua raiva e repúdio a uma ditadura que fechava cada vez mais o cerco à população. Eram pessoas querendo abrir os olhos de outras na tentativa de evitar que o País mergulhasse numa era de mãos atadas e de silêncio. Eram pessoas que cantavam porque, de verdade, tinham algo a dizer.

    Apesar de inigualável, tal fase não torna, também, todas as outras inferiores. Ela teve o seu momento, a sua razão, e passou, dando lugares a outros estilos e gêneros que combinassem com o contexto do momento. Aquela noite de 67 não foi melhor e nem pior do que outras noites e dias da música nacional. Foi apenas única. Foi somente uma noite que marcou. Como muitos momentos da nossa vida que nos marcaram e que, por egoísmo e extremo apego, não conseguimos manter somente como lembrança e caísmo no erro de querer, à força, que durassem para sempre.




    Categoria: Filosofias de buteco
    Escrito por Babi às 21h41
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    Intervalo de 5 anos



    No dia 4 de agosto de 2005 eu acordei às 7h da manhã para me preparar para o meu primeiro dia de trabalho no meu primeiro emprego.
    No dia 4 de agosto de 2010 eu acordei às 6h10 da manhã para mais um dia de trabalho na empresa em que estou há 3 anos e 4 meses.

    No dia 4 de agosto de 2005 eu usava uma calça social vermelha e uma blusinha preta na tentativa de passar uma seriedade um pouco maior daquela existente em uma menina de 19 anos.
    No dia 4 de agosto de 2010 o frio e a garoa do inverno paulistano me ogrigam a colocar uma jaqueta pesada, calça jeans e botas confortáveis para encarar um dia de fechamento de jornal.

    No dia 4 de agosto de 2005 eu demorei exatos 15 minutos, a pé, para percorrer a distância entre a minha casa e o meu trabalho.
    No dia 4 de agosto de 2010 eu consegui, por sorte, chegar no trabalho depois da costumeira 1h30 de viagem diária.

    No dia 4 de agosto de 2005 eu estava com uma ansiedade enorme, querendo causar uma boa impressão e achando que não era suficientemente capaz de cumprir os serviços que me seriam passados.
    No dia 4 de agosto de 2010 eu estava com uma pressa enorme para chegar e terminar logo as tarefas pendentes da semana, achando que não seria capaz de terminar a matéria a tempo do prazo da entrega.

    No dia 4 de agosto de 2005 eu pensava que tinha que sair correndo as 17h para dar tempo de pegar o ônibus e correr para a faculdade, na qual cursava o primeiro ano.
    No dia 4 de agosto de 2010 eu penso que gostaria de sair o mais cedo possível para me livrar um pouco do trânsito das duas horas de volta para conseguir chegar em casa logo.

    No dia 4 de agosto de 2005 eu tinha medo de não dar conta do trabalho, das obrigações da faculdade e da rotina maluca que aquele momento da vida exigia.
    No dia 4 de agosto de 2010 eu sentia um vazio imenso, pensando na necessidade de voltar a estudar e de ter uma ocupação extra que me retire da sofrida rotina do trabalho-casa-trabalho.

    No dia 4 de agosto de 2005 eu fazia as contas de que as minhas primeiras férias seriam, talvez, em agosto do ano seguinte.
    No dia 4 de agosto de 2010 eu faço a contagem regressiva para (ainda) as minhas primeiras férias que devem chegar em setembro deste ano.

    No dia 4 de agosto de 2005 eu não sabia como era conviver com colegas de trabalho.
    No dia 4 de agosto de 2010 eu não sei mais como é passar os dias sem a companhia deles.

    No dia 4 de agosto de 2005 eu já começava a trabalhar sonhando com o dia em que largaria tudo para ser, de fato, jornalista.
    No dia 4 de agosto de 2010, eu reluto em assumir que, apesar de todos os fatores negativos, eu não poderia ter escolhido uma profissão mais apaixonante.

    No dia 4 de agosto de 2005, apesar da pouca experiência, eu já me achava mais capaz do que muita gente.
    No dia 4 de agosto de 2010, com uma certa experiência, eu continuo me achando ainda mais capaz do que muita gente.

    No dia 4 de agosto de 2005 eu tinha um salário fraco, mas relativamente suficiente para a fase.
    No dia 4 de agosto de 2010 eu tinha um salário fraco e claramente insuficiente para a fase.

    No dia 4 de agosto de 2005 eu queria ganhar dinheiro para comprar um celular e pagar a faculdade.
    No dia 4 de agosto de 2010 eu queria ter dinheiro para comprar um apartamento e um carro.

    No dia 4 de agosto de 2005 eu tinha a sensação de ter dado um passo importante, mas sabia que dali a pouco tempo a minha cabeça já me levaria a querer muito mais.
    No dia 4 de agosto de 2010 eu tenho a sensação de já ter dado passos importantes, mas sei que agora mesmo a minha cabeça já me leva a querer muito mais.

    Assim como tudo muda o tempo todo, tem coisas que parecem insistir em se manter no devido lugar.



    Escrito por Babi às 10h41
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    Cenas do cotidiano

    Mãe, compra brócolis

    Dá série: antes ouvir isso do que ser surda.

    Em um fim de tarde típico da cidade de São Paulo, em um ônibus quase lotado, um grupo de quatro meninas conversa (em tom de voz elevadíssimo) sobre fatos variados do nosso cotidiano. O bate-papo não despertava atenção, até cair no seguinte ponto:

    - Ai, sabe que eu ouvi falar um dia desses aí na TV que tem uma comida que faz mó bem pros neurônios...Como é que é o nome?
    - Que comida?
    - Ai, é aquele negócio verdinho...
    - Ah, verde não. Eu detesto legumes.
    - Ai, acho que aquilo lá..como é? Própolis, né?
    - Própolis? É acho que é.
    - Mas como que é isso?
    - Ai, é aquele negócio que parece uma couve-flor, mas é menor e é verde.
    - Ah, eu comi esse treco uma vez e não gostei não. Não gosto de nada de fruta, essas coisas verdes, não.
    - Mas peraí, isso não é brócolis?
    - É, acho que é. Mas também, não importa. É tudo verde mesmo.
    - Mas para quê que é bom?
    - Ah, então, eu vi que falram que comer brócolis ajuda a renascer os neurônios.
    - Como é que é?
    - É, quando o corpo para de produzir neurônio, quando fica fraco, comer brócolis ajuda.
    - Nossa, eu não sabia!
    - Pena que esses trecos aí que fazem bem são mó ruins, né. Aff.....

    E eu achava que o engarrafamento era a pior coisa pela qual se podia passar no trajeto de retorno para casa.



    Categoria: Filosofias de buteco
    Escrito por Babi às 21h12
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    Sorte no jogo


    A Copa do mundo é minha

    E, de repente, aquela pessoa que nunca ganhou nem uma rifa de ovo de Páscoa, que se sentia derrotada até nas disputas de par ou ímpar e que sempre viveu maldizendo a própria sorte....foi obrigada a calar a boca.

    E, na Copa mais esquisita da história....a campeã foi a mais inesperada da história.

    Em breve neste blog, comentários e informações do Rio e do Copacabana Palace!



    Categoria: Filosofias de buteco
    Escrito por Babi às 10h05
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    Copa e amor


    Inveja feminina assumida

    Cenário: Estádio Soccer City, na África do Sul, logo após a partida que consagrou a Espanha como campeã da Copa 2010

    Personagens: Iker Cassilas (goleiro e capitão da seleção da Espanha) e Sara Carbonero (repórter de uma emissora de TV espanhola e namorado do goleiro em questão)

    Contexto: Na estreia da Espanha na Copa do Mundo, em que a seleção espanhola foi surpreendemente derrotada pela Suiça pelo placar de 1X0, a repórter foi apontada como suposta "culpada" pelo fracasso da equipe por ter, de alguma forma, distraído Casillas no momento em que a seleção suiça atacava. Superadas as derrotas e com a taça na mão, o goleiro decidiu, publicamente, calar a boca de quem havia feito as críticas com as duas melhores coisas desse mundo: com a vitória e com amor:


    E assim, 95% da população feminina do mundo foi dormir com inveja da repórter. Por ser campeã do mundo, por namorar um dos mais lindos e premiados jogadores de planeta e por ser alvo de uma coisa que, ainda que possa ser considerada brega, quebra as pernas de qualquer mulher: manifestação pública de amor.



    Categoria: Sentimentalidades
    Escrito por Babi às 10h19
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    Culpa


    De quem é a culpa?

    Assim como postei nesse blog há extaos 4 anos, o Brasil foi eliminado mais uma vez da Copa do Mundo - estou começando a achar que o pé frio da história sou eu. Mas, assim como em 2006, lá se foi o sonho do Hexa e as expectativas de vendas da galera da 25 de março, que deve estar quebrando a cabeça para descobrir onde enfiar as vuvuzelas verde e amarelas que ninguém mais quer.

    Mas eu não quero falar exatamente do fracasso da seleção brasileira, mas sim do comportamento todo da nação após a derrota, que expressa um dos maiores e mais complicados defeitos do ser humano: a necessidade de SEMPRE encontrar um culpado.

    Poderia listar aqui, no mínimo, uns 15 motivos que podem ter conduzido a selação brasileira à derrocada. Na minha modesta opinião de leiga futebolística, acredito que foi uma combinação de todos eles que levaram os 11 jogadores a sair do vestiário sob o efeito de alguma droga imáginária e entrar em pane após o gol de empate da Holanda. E, daí para frente, todo mundo sabe o fim da história.

    E aí, após a partida, começou a crucificação. Primeiramente, óbvio, no técnico da equipe. Bastou o juiz apitar o fim daquela tortura para que o País inteiro se sentisse à vontade para soltar os gritos de "Dunga Burro" e "Eu já sabia", que estavam engasgados desde quando a lista da convocação da Copa foi divulgada - e que insistia em ficar preso por conta das vitórias que o comandante da seleção vinha conseguindo com a camisa amarela. O técnico fracassou. Logo, ele foi o responsável por destruir o sonho de quase 200 milhões de pessoas, por frustrar os planos e as cifras de todos os patrocinadores da CBF, por não ter feito aqueles jogadores entrarem no 2º tempo com pelo menos 10% da garra que tiveram no primeiro, pelo fato dos atacantes da Holanda serem bons, por não ter formado um banco de reserva capaz, pela pobreza sul-africana, pelo apartheid, pelo derramamento de óleo na costa norte-americana, pela tensão na Faixa de Gaza....enfim. Tudo é culpa do Dunga.

    Agora, eu me pergunto. E se ele tivesse conduzido a seleção que levantaria a taça - provavelmente no lugar da Alemanha - no próximo domingo? O que ele seria? Pela reputação do técnico, não acho que o País se desmontaria em elogios. Mas todos os veículos, a imprensa, o povo brasileiro e quem mais tivesse criticado o técnico, abaixaria a cabeça para reconhecer que, ele pode não estar certo, mas soube fazer o trabalho direito.

    Quero deixar bem claro que eu não aprovo o comportamento do Dunga com a imprensa pois sou extrema defensora da boa educação - coisa imprescindível para quem, como ele, exerce uma função de alta exposição e, sobretudo, de alta responsabilidade. Em relação ao estilo militar com o qual ele comandou a seleção, nada tenho a declarar e nem a criticar, pois creio que ninguém melhor do que um técnico para escolher as melhores maneiras de disciplinar sua equipe. O que quero dizer, entretanto, é que não consigo compreender a imediata necessidade geral de depositar toda a culpa sobre algo ou alguém. Como se não existesse falha coletiva e nem sucessão de fatores. A culpa é sempre de um. Como se vivessemos em uma eterna e infinita batalha de conto de fadas, em um cenário no qual só existem bons e maus.

    Para a maior parte das pessoas não vale considerar que o técnico, sim, falhou muito em suas escolhas, mas que isso não justifica plenamente o fracasso de 11 jogadores profissionais em campo. Também não vale considerar que a Holanda, um adversário técnica e historicamente mais fraco, teve sim capacidade para vazar a defesa brasileira e abater a tal seleção invencível. Não vale, também, avaliar que uma pane emocional - bem característica de times sul-americanos que, por conta disso, sempre estarão em desvantagem - é capaz de anular qualquer talento e capacidade. Também ninguém pode avaliar que a Argentina (a espetacular Argentina, que tanto foi citada como exemplo de raça, de garra e de talento pelo próprio Brasil, e que era, sem dúvida, uma das melhores seleções dessa Copa) também caiu ao se deparar com a terrível e inaceitável realidade de que existia, sim, uma seleção melhor do que ela.

    Enfim. Nesse mundo - mais ainda nesse País - não há conjunções de fatores e nem vítimas de situações. Há apenas inocentes e culpados. Os primeiros, infelizes por terem suas alegrias anuladas pelos segundos. E, os segundos, criaturas terríveis que agem simplesmente para espalhar sua incompetência e disseminar seus erros e feitos negativos pelo mundo. E assim se resume o mundo: a uma medícore batalha entre o suposto bem o suposto mal.



    Categoria: Filosofias de buteco
    Escrito por Babi às 22h20
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    Copa da clase AA


    A copa da classe AA

    Diz a lenda que Copa do Mundo é uma das poucas ocasiões em que todos os seres humanos deixam de lado as suas diferenças de estilos, vidas e classes sociais e se unem no mesmo patamar de torcedores. De quatro em quatro anos, então, somos todos verde e amarelos. Eu também tinha uma ideia similar a essa. Até ver, com meus próprios olhos, como é a Copa do mundo na alta sociedade.

    Por motivos profissionais eu estive no Parque da Copa, localizado no Jockey Club de São Paulo para fazer uma reportagem durante a partida entre Brasil e Portugal. O sonso empate de 0X0 deixou uma sensação de frustração em 99,99% da torcida brasileira. Para o 0,01% que ali estava, entretanto, ele nem foi notado. Alias, vale dizer que, naquela parcela da sociedade de classe AAA, o jogo do Brasil é um mero detalhe que jamais se sobressai diante do seu momento de aparição pública.

    A diferença começa na entrada. Ao ver a multidão se aglomerando nos portões, vestindo camisas amarelas, até dá a sensaçao de que o ambiente ali é igual ao de qualquer outro no país naquele momento. Bastam alguns minutos, porém, para se chegar a mais importante conclusão: quem está ali - pagando, no mínimo, R$ 30 de estacionamento para deixar o seu carro debaixo do forte sol de inverno - está preocupado com duas importantes locuções verbais: ver e ser visto.

    Roer as unhas, cantar as jogadas, fechar os olhos no ataque adversário? Para que? Muito mais importante para eles - e elas - é garantir que o copinho esteja cheio de Brahma ou de Bacardi e cruzar o camarote de ponta a ponta, atraindo o máximo de olhares possíveis. Mais do que bola em campo, o que chama a atenção é a quantidade imensa e variada de modelos de óculos escuros. Lindos. Alguns cujas logomarcas são maiores do que as hastes. E eles estão nos rostos de todos. Não bate sol no camarote. Mas também, o que importa o sol? Importante é esconder os olhos para fazer 'carão'.

    A vestimenta da torcida é algo também totalmente peculiar. Mencionei as camisas amarelas porque elas são, de fato, o item predominante. Não significa, porém, que as pessoas não são criativas a ponto de fazer sua própria composição do uniforme canarinho. Tops verde e amarelo, frente única, brilhos, decotes e outros cortes do gênero dominam a vestimenta das garotas que desfilam nos camarotes. E, já que o sol deu as caras, nada melhor do que shorts e minissaias. Alguns deles, mais mini ainda. Modelos que eu tenho certas dúvidas se usaria na praia. Quanto mais na cidade grande. Os sapatos então combinam perfeitamente com o gramado que forra o chão do Jockey: sandálias altos, de salto bem fino.

    Enquanto o vai e vem de acessórios domina o movimento, o jogo rolão no telão. Uma meia dúzida de pessoas - homens, geralmente - ainda prestam atenção nas jogadas. Me junto a eles, tentando não me sentir tão estranha por ter vontade de assistir ao desempenho do Brasil. Começo a olhar ao redor. Em um raio de dez metros, sou a única mulher a prestar atenção no telão. Sinto medo. Mais do que isso, sinto vergonha.

    Olho para trás na esperança de encontrar algum semelhante. Vejo uma moça, de jeans e regata básica, aparentemente concentrada no telão. Observo para ver se ela é do meu mundo. E logo me frustro ao ver o imenso LW colado na carteira dela (original, claro). Tento esquecer que aquelas pessoas ali pagaram, no mínimo, R$ 250 para assistir a Copa. E que, se fizesse uma enquete rápida, 75% não saberia nem, ao menos, onde está acontecendo a Copa.

    O árbitro apita o fim da partida e a reportagem acaba. Saio dali com 0X0 meio engasgado, mas aliviada com o primeiro lugar do grupo. E mais aliviada, ainda por ter sido naturalmente eliminada daquela 'competição'. Na próxima escolherei melhor. Vou ao Ahangabaú. Lá, pelo menos, tenho a impressão de que as pessoas que vão assistir à Copa fazem uma coisa muito simples, mas fundamental para o bem-estar comum: assistem à Copa.



    Categoria: Mundo jornalístico
    Escrito por Babi às 23h48
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