“Heal the world Make it a better place For you and for me And the entire human race There are people dying If you care enough for the living Make a better place for you and for me”
Algumas vezes, porém – por motivos que não nos cabe julgar e tampouco compreender – ele passa a ser preto e branco.
E aí começamos a procurar os tons radiantes, as cores vibrantes que antes enchiam os nossos olhos e não encontramos nada. Tudo desbotou, perdeu o brilho, a luz, a vida. As cores desapareceram. E junto com ela, a nossa alegria também.
O mais dolorido não é a consciência de que o mundo perdeu as cores. É a percepção do fardo de ter de enfrentar uma vida em preto e branco. Não que seja impossível situar-se em um mundo sem tons. Mas não tem graça. Não tem propósito. Não tem razão.
E é estranho olhar o seu redor e notar que as demais pessoas, as coisas e os lugares mantêm a mesma essência. Em sua forma, nada mudou. Mas os seus olhos e sua visão jamais serão os mesmos. Você vê que não é mais capaz de inserir cores nos seus atos e, principalmente, nos seus pensamentos. E aí tudo perde o sentido.
Nessa fase, porém, sempre existirão pessoas que tentarão te mostrar que ainda existem cores no mundo. E que enxergar a beleza delas depende unicamente da sua força de vontade e do seu empenho. Só que, infelizmente, você sabe que não consegue mais comandar a sua visão. E nem a sua força de vontade. Alias, você descobre que não tem mais nenhum resquício de força de vontade.
Você chega até a pensar que orações, que bons pensamentos e que gotas de remédio podem trazer as cores de volta. Mas não podem. Nada pode. Porque é a nossa visão que já foi estragada pela tristeza e pela frustração.
Podem chamar de covardia, de pecado, de fraqueza, de ingratidão ou de qualquer outro adjetivo que queiram inventar. Mas é impossível agüentar um céu sem cor, um trabalho sem cor, um prato de comida sem cor, vozes sem cores e a noção de que você tem muitos anos pela frente para continuar existindo sem cor. E é impossível suportar o fardo de saber que ninguém vai colorir o mundo para você.
É nosso direito não querer existir em um mundo sem cor.
É meu direito não querer viver mais em um mundo sem cor.
Em quase oito anos a gente nunca passou mais do que uma semana separadas. Elas faziam parte do meu dia a dia e me davam a sensação de que, sem elas, eu não era capaz de dar um passo. Fazíamos tudo juntas e posso dizer que elas acompanharam várias fases diferentes e importantes do meu crescimento e amadurecimento.
Elas não apenas me amparavam e me abriam os horizontes, como também ajudavam a colaborar com a minha fraca auto-estima – já que, na companhia delas, eu me sentia mais bonita. Assim que amanhecia o dia, eram elas as coisas de que primeiro eu me lembrava, assim como eram as últimas coisas para as quais eu dirigia meu pensamento antes de dormir.
Elas estão presentes nas minhas fotos, nas minhas histórias, nas minhas lembranças e, a partir de hoje, estarão vivas somente na minha memória. Porque, depois de todo esse tempo de união, o destino – nesse caso, materializado pela figura de uma oftalmologista e pelas minhas córneas comprometidas – obrigou a nossa separação. E, assim, eu me despeço das minhas lentes de contato e passo a fazer a parte do universo das pessoas que usam óculos.
Como toda criança boba, eu achava um charme poder usar óculos. Para mim, ele era um acessório bonito, que combinava com a roupa e dava às pessoas uma graça a mais. Depois que descobri a minha miopia galopante e passei a depender dele da mesma forma que dependo do ar para respirar, já não penso mais com tanta ternura. Continuo achando que ele é um charme no rosto de todas as outras pessoas. Menos no meu.
E assim, a partir deste dia de outono eu dou início ao casamento mais longo da minha vida. Posso até mudar de modelo, de armação e de cor, mas eles estarão sempre no meu rosto. E, até que a morte – ou a cirurgia – nos separe, que sejamos felizes para sempre.
Tomar uma decisão nunca é uma coisa fácil. Pode ser até em relação à cor do esmalte que você vai passar. Se tiver muitas opções, você sempre vai ficar em dúvida se fez ou não a melhor das escolhas.
E, se para as coisas fúteis já é difícil tomar decisões, o que dizer das coisas mais sérias, que podem mudar o nosso destino e as nossas vidas?
Para aqueles que tem a sorte – ou o azar - de serem mais impulsivos, o processo de tomada de uma decisão pode ser menos dolorido. Afinal, quem é mais atirado geralmente tem a idéia, a coloca logo em prática e, só depois, vai pensar se aquilo que fez era certo. Como normalmente são atitudes pouco pensadas, as chances das conseqüências serem catastróficas são grandes. Mas, obviamente, há uma grande possibilidade de aquilo dar certo e, assim, eliminar aquela angústia da espera por uma mudança. Particularmente, admiro muito pessoas assim.
Mas, para quem faz parte do outro grande grupo de indivíduos que pensa, pensa, pensa e pensa demasiadamente a respeito dos prós e contras de cada decisão a ser tomada, o sofrimento, geralmente, é bem maior. Digo que é maior porque, como faço parte desse grupo de pessoas, pude aprender que quanto mais adiamos uma decisão, mais difícil será para tomá-la. E isso vale para tudo. Tanto para as coisas importantes, como para as banais.
Nessas mais de duas décadas de vida uma das coisas que mais acreditei era que tudo tinha uma hora exata para ser e para acontecer. E que, para mudar algo, mexer em alguma coisa que eu considerava errada ou simplesmente manifestar a minha opinião contrária a uma situação, eu precisava esperar o dia D e a hora H. Não podia fazer nada fora desse tal ‘momento certo’, porque, senão, eu iria piorar ainda mais as coisas. Com isso, a maioria das coisas que ganhei (e ainda ganho) são uma angústia ainda maior e uma sensação pesada de saber que cada movimento que eu faço pode ser capaz de destruir ou de salvar a minha vida e a vida das pessoas que estão perto de mim. É um fardo grande demais.
Por isso, se pudesse, eu criaria uma nova filosofia, que diz que o momento certo de tomar uma atitude é a primeira vez que você sente que alguma coisa não está legal. Isso não é impulsividade, falta de discernimento e nem desespero. É apenas uma demonstração de que você não veio a esse mundo para tolerar coisas que te fazem mal.
Em outras palavras, se pudesse, eu daria início ao movimento do “para mim, chega!”. Se tivesse coragem para isso. Mas a covardia me escolheu como companheira eterna. Por isso, continuo sempre em busca do momento certo.
Estou me sentindo muito inteligente. Acabei de descobrir como publicar vídeos nessa bagaça (ferramenta que o UOL já me oferece há mais de um ano, eu acho). Sei que isso não vai mudar absolutamente nada no mundo, mas todo novo conhecimento absorvido me deixa feliz. Além de ser uma opção para os dias em que estou sem criatividade.
E, por falar em falta de assunto, o primeiro vídeo será o de uma música que há quatro dias não me sai da cabeça. Tudo começou na semana passada, quando passei ao lado de um carro cujo rádio a tocava em alto volume. Depois disso, basta qualquer pensamento, silêncio ou situação para que as batidas dela voltem aos meus ouvidos. Não sei se é algum sinal ou pura coincidência (se é que alguém ainda acredita em coincidência).
Poucas certezas nesse mundo são tão maravilhosas do que saber que existe alguém que, no momento em que aparecer na sua frente, será capaz de fazer você perceber o quanto a sua vida é feliz.
Motivo: Chegada de um release de uma famosa marca (aquela que tem mil e uma utilidades) convidando para uma coletiva de imprensa que será realizada na próxima semana, com as presenças de:
Cauã Reymond
Rodrigo Hilbert
Malvino Salvador (pausa para respirar fundo). Pronto. E...
Rodrigo Lombardi
A enquete: O que vocês fariam se, sem consultar nenhuma das repórteres, a sua editora-assistente se credenciasse para ir??
Se você pudesse ser tele transportado para algum lugar desse universo em uma segunda-feira de emenda de feriado, onde você estaria?
a-) Esticado em uma tolha de praia sobre a areia do Guarujá, tendo como vizinhos uma água de coco e o barulho das ondas?
b-) Deitado em sua cama, dando mil voltas em torno de sim mesmo para preparar os músculos antes de levantar?
c-) Passeando em qualquer shopping da cidade até esperar o horário de comprar o ingresso na bilheteria do cinema?
d-) Caminhando em algum parque ou pela rua, sentindo o gostoso sol de outono no rosto enquanto conversa com alguém que você gosta?
e-) No sofá, assistindo ao Chapolim e, na sequência, Jornal Hoje e Senhora do Destino?
f-) Em algum bar deste Brasil, virando um copinho de cerveja na companhia de pessoas queridas, praticando o árduo exercício de falar bem da gente e mal dos outros?
g-) No segundo andar de um prédio da Av. Jaguaré. Sozinho. E sem ar-condicionado.
Essa noite eu tive um sonho (de longa duração) no qual eu era demitida. O fato de hoje ser dia 1º de abril seria algum sinal positivo ou é um aviso para que eu me prepare para passar a Páscoa com fome?
Poucas coisas na vida são tão ruins do que tentar fazer algo acreditando que aquilo é a melhor solução e descobrir, assim que você faz, que aquela não era a melhor saída.
Poucas coisas na vida são tão ruins do que olhar uma situação por todos os ângulos e não encontrar, em nenhuma das pontas, nenhum esboço de solução.
Poucas coisas na vida são tão ruins do que se sentir responsável pelo sofrimento de pessoas que você ama.
Poucas coisas na vida são tão ruins do que ter a convicção da sua própria fraqueza.
Poucos dias na vida foram tão ruins quanto o amanhecer deste.
Quem é jornalista sabe que, com o passar do tempo, as pessoas famosas e celebridades acabam perdendo o caráter diferenciado que elas tinham aos nossos olhos antes de ingressarmos na profissão. Afinal, elas passam a ser fontes, ou seja, contatos e ferramentas de nosso trabalho, como se fossem instrumentos com os quais a gente lida normalmente no dia a dia a para o quais não damos mais muita importância.
Portanto, os jornalistas não têm – ou, pelo menos, não deveriam ter – nenhum ato de tietagem ou de exaltação de qualquer personalidade, uma vez que, para nós, as pessoas públicas são seres plenamente comuns. E é esse princípio que procura seguir desde que enveredei pelos caminhos dessa profissão.
Algumas – raras – vezes, entretanto, a gente se vê em determinadas situações nas quais a polidez jornalística e o bom senso acabam dando lugar à exaltação e a expressão de emoções que, para nós, são incontroláveis.
Após essa breve explicação, com todo o respeito a vocês, eu peço licença para fazer a importante declaração:
PUTAQUEPARIU, EU VI O REEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEI !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Apesar de até parecer, esse post não tem nenhuma referência à pérola jornalística postada abaixo, a respeito do Clô. Desta vez, quero compartilhar com vocês uma outra pérola – mas agora, do universo publicitário – que me apareceu na semana passada.
Não lembro se já comentei isso aqui, mas eu trabalho escrevendo a respeito de propaganda e dos vastos negócios que ela movimenta. E, apesar das duzentas mil ressalvas que tenho a respeito dos publicitários, muitas vezes fico admirada com a capacidade que eles tem de inventar jeitos inusitados para apresentar produtos e coisas que são, digamos, delicadas.
Como que vocês cumpririam, por exemplo, a tarefa de criar um anúncio para divulgar um gel lubrificante voltado ao público gay? O pessoal da agência Gnova deve ter passado dias quebrando a cabeça para montar o vídeo e transmitir a mensagem que, segundo eles, convenceria o público a comprar o produto da marca Semina.
E, como minha função é cobrir o mercado publicitário, coube a mim fazer o texto explicando o conceito e a idéia da peça. Agora, pergunto a vocês: de qual recurso – jornalisticamente correto – vocês fariam uso para comentar isso aqui? (Clique no link e, em seguida, clique no botão do “Play”. Não pule a introdução. E não ache que a página está travada. O vídeo é assim mesmo).
<< Insira aqui, mentalmente, sua reflexão pessoal>>
Obs1: Com um agradecimento especial ao Adonis Alonso, autor do Blog do Adonis, que me parabenizou por ter conseguido falar disso de uma forma tão "delicada".
Obs2: A que a gente se sujeita para ganhar o leite das crianças, né?
Andei meio desligada daqui ultimamente. Mas nem por isso minha mente ficou inoperante. Pelo contrário, a fábrica de pensamentos e soluções para consertar os meus problemas e, mais precisamente, os problemas das outras pessoas, anda trabalhando a todo vapor.
Mas, informo que voltamos a programação normal. Agora que, minha energia e, principalmente, a minha motivação, também estarão de volta.
Para fazer um resumo expresso dos últimos dias, deixo registrado que aprendi quantas coisas a saudade é capaz de causar em nós. E, contraditoriamente, descobri que não existe nada mais confortante do que sentir saudades. Sempre que se sabe que ela tem dia, hora e prazo para terminar.
Sim, eles voltaram. Se essa vinda acontecesse exatamente há oito anos, quando o grupo lotou o Anhembi de fãs histéricas, sem dúvida eu não repetiria o erro do qual até hoje eu me arrependo profundamente e teria encarado filas, tumultos e a puta que pariu para assistir a apresentação da banda que marcou a minha e a adolescência e a de muita gente. (Sim, está aberta a série Meu Passado me Condena).
Não é preciso explicar muita coisa a respeito da mais famosa boy band dos anos 90. Brian, Nikc, Howie D., AJ e Kevin juntaram-se para fazer história, ditar um modismo musical que foi copiado por várias outras bandas e deixar no cenário musical algumas baladinhas-chicletes que são entoadas em coro assim que começam a tocar em qualquer rádio.
Com quatro álbuns – Backstreet Boys (1996), Backstreet’s Back (1997), Millenium (1999), Black & Blue (2000), além da coletânea Greatest Hits – Chapter One (2001), o quinteto norte-americano explodiu. Em 2001, deram o ar da graça em território brasileiro – show ao qual eu não fui – e pareciam que nunca mais levantariam do trono do sucesso.
Mas, os novos rumos da indústria fonográfica não teve pena das carinhas bonitinhas dos meninos e trouxe anos amargos para a banda após 2001. Depois de tentativas mal-sucedidas de projetos solo, de pausa para casamentos, filhos e tratamentos para a dependência de álcool e drogas, eles tentaram voltar. Em 2005, a banda lançou o single Incomplete e, logo depois, o álbum Never Gone. A empolgação durou pouco e logo a possibilidade de voltar ao estrelato esfriou.
Em 2006, Kevin (para quem não sabe, o mais bonito do grupo), decidiu, amigavelmente, dar o pé em seus colegas e cuidar da sua aposentadoria aos quase 40 anos de idade. Mesmo assim, os quatro integrantes restantes não pararam. E, agora, mais precisamente hoje (05 de março de 2009), eles estarão de volta aqui, em São Paulo, para divulgar o álbum “Unbreakable” (2008) e levar as antigas fãs ao ápice do choro nostálgico.
Agora, ao olhar as fotos da chegada deles no aeroporto, além da constatação óbvia de que eles envelheceram, me veio a estranha idéia de que existem tempos certos para as coisas serem apreciadas. E me deu muita saudade da época em que eu achava que as minhas ações cotidianas eram ilustradas com a trilha de “As Long as You Love me” ao fundo e que, a qualquer momento, o avião deles iria cair aqui em São Paulo, eles iriam sobreviver, o Nick (o loirinho que no início da carreira ainda nem tinha mudado de voz e posteriormente engordou horrores) iria me olhar e me perguntar “Onde você esteve durante toda a minha vida?” e nós nos casaríamos e teríamos três filhos de olhos azuis.
Eles estão bem diferentes. Brian formou uma família, teve filhos e dedicou-se a música gospel em paralelo aos trabalhos do grupo. Howie D (que, na época, era o mais “vaso chinês” da banda) casou-se recentemente, em breve será pai e ficou até mais bonitinho do que era na época do sucesso. O dono da voz mais potente e bonita da banda, AJ (sim, ele canta bem melhor que o Brian) foi o menino-problema do grupo. Depois de internações e de ter que parar de trabalhar por conta do vício em cocaína e no álcool, ele está de volta, com mais tatuagens e mais piercings. Nick Carter, o ex-futuro pai dos meus filhos, tentou carreira solo, também despirocou no álcool e agora emagreceu, está lindo novamente e achando que tem os mesmo 15 anos que tinha quando tudo começou.
Se eles ainda causam algum efeito avassalador, apenas o público do Credicard Hall hoje e do Rio de Janeiro, no próximo dia 7, vão poder dizer. E, mais uma vez, não sou eu que vou ter que a chance de avaliar. Só que, desta vez, por opção própria. Claro que amaria ver os Backstreet Boys. Mas essa vontade não chega a 5% da que tinha há oito anos. O que me faz ver que, assim como eles, eu também envelheci.
E que nada do que foi será de novo e do jeito que já foi no final da década de 90.