Aparências

                     Forma X Conteúdo

 

 

Desde aquela semana em que meu blog foi colocado nas paradas de sucesso eu venho pensando em escrever um post sobre um dos comentários que uma visitante deixou, que acabou me fazendo refletir sobre alguns pontos esquisitos da minha personalidade. O que ela fez foi uma ressalva básica, dizendo que algumas coisas dessa página poderiam melhorar, inclusive o layout – algo que todo mundo que aqui entra também deve achar.

Obviamente dei total razão a ela e reconheci que a ‘roupa’ desse meu blog não anda obedecendo às tendências mais recentes do mundo fashion. Para justificar eu até poderia fazer um texto atribuindo essa falha à total inaptidão técnica da peça localizada entre o monitor e a cadeira. Mas eu me recordo de já ter mencionado os problemas que tenho com a tecnologia em alguns posts anteriores. Minha relação com computadores é básica, seca e objetiva. Tenho inveja de quem sabe usar, não entendo a linguagem dos programas e qualquer tecla adicional que eu precise apertar já me causa pânico.

Em vez de ficar divagando sobre minha burrice, entretanto, preferi partir do comentário dela para chegar a um outro ponto que, de certa forma, se relaciona com a questão. Em uma rápida retrospectiva da minha vida, descobri que eu tenho tendência em desprezar a forma para dar atenção demais ao conteúdo. Quando criei este blog a única coisa que achei importante era ter um espaço em branco e caracteres em Arial para materializar as idéias estúpidas que me vinham na mente. Cores, estilo, linhas, formas foram coisas que deixei em último plano. Não por considerá-las menos importantes, mas por achar que eram as palavras que deveriam ser o centro de tudo.

Antes que vocês pensem que eu sou uma desleixada com tudo, deixo claro que a coisa não é bem assim. Tenho um mínimo de senso de organização e um grau de vaidade suficiente que me possibilita um entendimento com o espelho diariamente, antes de sair de casa. Mas confesso que muitos rótulos, aparências e imagens, para mim, não significam nada. (Comentário este que deixaria meu professor de Design em Revistas – aquele que me chamou de ‘pré-adolescente’ – chocado).

Lembro que, enquanto as meninas na escola desfilavam com os cadernos cor-de-rosa coloridos em todo começo de ano, eu ficava quietinha e feliz com o meu material escolar simples. Minha lancheira também nunca era a mais bonita. Geralmente era a mais neutra, cujo fecho era o mais prático de abrir. Não por economia e nem por chatice, mas porque eu não me importava em ter aquelas coisas. Geralmente, eu nunca vi graça naquilo que todo mundo achava bonito, apesar de, logicamente, ter discernimento para enxergar o que é bonito e o que é feio.

Muita gente pode chamar isso de mau-gosto e de falta de percepção e de senso estético. Talvez até o seja. Mas, já com uma certa bagagem de experiência, eu acredito que tive grandes vantagens por ser assim, afinal, aprendi o exercício de achar graça somente nas coisas que, de fato, têm graça. Coisa que sempre apliquei, involuntariamente, na minha vida sentimental, por exemplo. Sempre olhei para os meninos bonitos, mas dificilmente me interessava por eles. A maior parte dos caras por quem já me apaixonei não chamavam a atenção pela beleza. Mas, posso garantir que só eles tinham as risadas mais gostosas, o senso de humor mais incrível, os olhares mais calmos, as mentes mais vivas e os corações mais doces. Coisas que, muitas vezes, só eu via (e vejo). Ainda bem!